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17.000 dispositivos vulneráveis a ataques em Portugal

ntp_map_portugal_2

Com base nos últimos artigos que tenho escrito, tanto no WebSegura, como no Tek Sapo, decidi obter mais informação sobre algumas falhas em routers em Portugal. Foquei-me inteiramente nos protocolos NTP e SSDP, visto serem neste momento bastante utilizados como plataforma para amplificação de ataques DDoS.

Nesta investigação, e com dados recolhidos entre os dias 11 e 12 deste mês no projeto ShadowServer Foundation, concluí que existem cerca de 17.491 dispositivos alegadamente vulneráveis a ataques NTP e SSDP/UPnP em Portugal.

No topo dos ISPs com mais dispositivos vulneráveis, está a VODAFONE, logo seguido pela MEO e a TVCABO.

Elaborei dois gráficos para melhor ilustrar os ISPs afetados em Portugal.

TOP10 dos ISPs vulneráveis ao NTP em Portugal

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Num total de 12010 ocorrências [o gráfico apenas ilustra o total do Top10] – https://ntpscan.shadowserver.org/

TOP10 dos ISPs vulneráveis ao SSDP em Portugal

ssdp_portugal_grafico

Num total de 5481 ocorrências [o gráfico apenas ilustra o total do Top10] – https://ssdpscan.shadowserver.org/

Só para ter ideia do tipo de amplificação dos ataques SSDP, se for feito um pedido de 64 bytes ao serviço, a resposta é de 3283 bytes. Ou seja, uma amplificação de cerca de 50x.
Geralmente os utilizadores maliciosos utilizam pedidos M-SEARCH numa determinada gama de IPs. Se o dispositivo SSDP/UPnP responder ao pedido com a descrição do dispositivo, então está vulnerável. Com base nestas respostas, os utilizadores elaboram uma lista de dispositivos vulneráveis para posteriormente criarem botnets ou booters.

O projeto Shadowserver Foundation tem como objectivo pesquisar e identificar dispositivos com os serviços NTP e SSDP abertos e disponíveis.
Posteriormente contatam os responsáveis para uma resolução.

Gostava também de salientar que o Brasil é atualmente o 8º país no mundo com mais dispositivos NTP abertos (118.030 ocorrências) e 7º em relação ao SSDP (395.251 ocorrências). De facto são números assustadores.

Embora os utilizadores possam, na maioria dos casos, recorrer ao painel de administração dos dispositivos e desligar os serviços que que não utiliza, o papel deveria ser implementado pelo ISPs. Uma pequena GRANDE atenção que os ISPs poderiam dar aos seus clientes, seria fornecer um manual de segurança ou uma newsletter mensal [ou imediata assim que aparecer uma falha crítica] com informação de segurança, qualquer um deles seria positivo para uma web mais segura.