Site da União Geral de Trabalhadores comprometido

hacked cover

Como já havia sido publicado no blogue, alguns sites portugueses são alvos de ataques informáticos por parte de um pirata, desta vez foi o site da União Geral de Trabalhadores (http://www.ugt.pt) que sofreu não um deface na pagina inicial mas uma assinatura na forma de imagem pelo hacker d3b~X.
Pode ser visto no mirror do zone-h (http://zone-h.org/mirror/id/23551669)

A imagem e a respectiva mensagem:

d3bx logo

Até a data deste artigo a imagem ainda permanece alojada no site, ainda não houve qualquer informação do sucedido nem a forma de como foi possível o upload por parte da gestão do site.

Relembro mais uma vez a importância de investir na segurança informática, de forma a preservar a integridade dos sistemas e dos dados que neles estão alojados.

2000+ contas do Minecraft poderão ter sido comprometidas

minecraft

De acordo com o site alemão Heise, 1800 contas (email:password) do Minecraft foram publicadas no Pastebin.
A mesma fonte refere que a origem destas contas ainda é incerta, mas numa pesquisa que fiz pela web, revelou-me que algumas das contas comprometidas já tinham sido divulgadas em 2013 e algumas em 2014. Inclusive a lista original não é de 1800 contas mas sim de mais de 2000+ [publicado num site no dia 9 deste mês].

No blogue da Sophos é possível ler:

… a primeira conta que pesquisei - um email gmail com uma password de 8 carateres, já foi divulgada há bastante tempo.
Encontrámos a primeira referência num fórum português com data de 10 de Julho de 2014…

Se os dados forem confirmados como originais, estas contas dão acesso a qualquer utilizador ao jogo Minecraft, inclusive descarregá-lo para os seus computadores.

A questão que se coloca sempre nestes casos, é se os dados de acesso são os mesmo para outras contas, como por exemplo, email, redes sociais, etc.

É óbvio que 2000 contas num universo de 100 milhões de contas registadas é uma gota de água num oceano, mas nunca se sabe se estas contas são uma amostra de algo maior.

Seja como for, se é utilizador do jogo, troque a sua password. A Mojang [os criadores do jogo] tem uma página dedicada para o efeito.

HackersList.com com falha XSS

hackerslist_xss

Chama-se HackersList.com e nos últimos dias tem estado presente em imensos sites da comunicação social.
Basicamente é um serviço de aluguer de hackers profissionais para qualquer tipo de serviço.

Um utilizador intitulado de watt, encontrou e publicou uma falha XSS no site e divulgou-a no xssposed.org.
Uma falta de filtragem da variável de pesquisa, leva à possibilidade de injetar código no URL e executá-lo no browser da vítima.

Dado que à data do artigo, o site ainda estava vulnerável, enviei um email para a equipa do site.

Parece-me correto, escrever o famoso ditado popular - Casa de ferreiro, espeto de pau.

SnoopSnitch - um alerta de espionagem para o seu telemóvel

Towers

Uma nova aplicação móvel avisa o utilizador em tempo real quando está a ser atacado e vigiado por terceiros.

Denominada de SnoopSnitch e disponível na Play Store [1], o programa é o resultado do trabalho de Alex Senier, Karsten Nohl, e Tobias Engel da SRLabs [2], investigadores de segurança que apresentaram o seu trabalho na vigésima primeira edição do Chaos Computer Conference [3] - uma das maiores convenções de segurança informática.

Analisando sinais de rádio recebidos pelas Cell Towers (Estações Rádio Base - ERB), a aplicação informa quando um utilizador se está a ligar a ERBs falsas (IMSI catchers) e a ser vigiado.

Aplicação mostra a quantidade de ERBs falsas detectadas nos últimos dias

Para além de a aplicação funcionar imediatamente como um “detector” de ataques em tempo real - esta também recolhe a informação que o utilizador gera, usando-a para actualizar o gsmmap.org - um mapa colaborativo onde países do mundo inteiro são classificados em relação à segurança dos operadores móveis, incluindo a facilidade de efetuar vigilância dos seus utilizadores e de forjar SMS a partir de qualquer número.

Desta forma o utilizador não se limita só a receber informação como também contribui e actualiza o mapa com a sua própria informação. No mapa, é fácil perceber que alguns dos países mais inseguros são também aqueles sobre regimes ditadores ou que vivem numa grande instabilidade geopolítica - por exemplo o Egipto ou a China.

De realçar no entanto que a aplicação apenas avisa o utilizador se está a ser atacado.

O porquê das operadoras serem tão inseguras

Os ataques identificados pela aplicação são o resultado de vários problemas que foram sendo identificados nos protocolos usados nas redes móveis aos longos dos últimos anos. Não só os métodos de encriptação foram quebrados há anos [4], como outras vulnerabilidades tem vindo a ser descobertas. Só no ano de 2014 foi apresentado com grande detalhe problemas no protocolo SS7 [5], com implicações gravíssimas para todos os utilizadores.

O SS7 (Signalling System 7) é um conjunto de protocolos que foram definidos nos anos 80 para transmitir chamadas entre switching centers (MSC na figura) e usando actualmente como a peça chave por detrás de todas as redes móveis no mundo. Como resultado das falhas encontradas, um atacante malicioso que consiga comprometer um operador em qualquer país, consegue lançar ataques a utilizadores do outro lado mundo. Ataques estes que vão desde a escuta das comunicações da vítima, à vigilância com uma assustadora precisão ao nível de ruas, como também do envio SMS impersonadas de serviços vitais como o 112. [6]

Topologia de uma rede telefónica usando SS7

O impacto em Portugal

Neste momento os leitores podem-se questionar quão seguros estão os portugueses e Portugal em toda esta história. A resposta é: não muito.

Através da informação que foi sendo recolhida e compilada, foi gerado um mapa em atualização constante onde cada país é classificado por grau de suscetibilidade a estes ataques. Embora nem toda a informação recolhida tenha sido publicada, podemos ver que Portugal se encontra a meio da tabela - “classificando-se” no rank como o 110 país mais seguro (de 218).

Quais os principais suspeitos

Neste novo campo de batalha, existem três grandes grupos de atacantes. O primeiro e o menos poderoso são pessoas a título individual ou num grupo pequeno, que recolhem informação de específicas pessoas para obter informação sensível e gerar dinheiro rápido, por exemplo através de chantagem e extorsão. O segundo grupo é integrado por grandes empresas que fazem dinheiro na recolha, processamento e venda de informação sobre indivíduos - vendendo-os a terceiros. A informação recolhida é devastadora - não só pelos conteúdos das comunicações, mas sobretudo pelo resultado da combinação de dados e meta-dados, como a localização e tempo das transmissões; permitindo gerar grandes e complicadas relações entre pessoas, locais, eventos temporais - que podem ser armazenados para futuras consultas.

O último grande grupo são as agências de segurança nacionais. Nomeadamente, as que integram o grupo Five Eyes - como a NSA dos EUA, a GCHQ do Reino Unido e as agências do Canada, Austrália e Nova Zelândia. Com o seu poder de recolha, armazenamento e processamento é inevitável pensar o que já é há muito tempo dito por especialistas na área - o telemóvel é na verdade um espião que levamos no bolso, com funcionalidades “extra” de fazer chamadas e mensagens.

O mapa http://sniffmap.telcomap.org/ detalha de uma forma muito gráfica o estado atual de vigilância por estas agências. Este mapa refere-se a outro tipo de intercepção feitos por estas mesmas - ao nível da Internet. É no entanto razoável assumir que se investigadores independentes de segurança mostram como explorar as vulnerabilidades das redes móveis, que estes mesmos problemas têm sido exploradas desde há muitos anos por agências de segurança e identidades governamentais.

Por fim é interessante notar que para Portugal ainda não foram recolhidos dados suficientes para se proceder à sua classificação. No entanto podemos efetuar um paralelismo com a nossa vizinha Espanha e assumir que mais de 70-80% do nosso tráfego é interceptado e guardado por agências secretas de língua Inglesa :)

E se alguns motores de emprego vendessem a sua informação?

procura_emprego

Baseado na experiência de alguns utilizadores do WebSegura.net e com uma amostra de 3 sites de motores de emprego, decidi escrever sobre os perigos que um utilizador corre ao inscrever-se em determinados motores de emprego [agregadores de ofertas de emprego] duvidosos.

Os três motores da amostra apostam em publicidade paga no Facebook para garantir mais visibilidade e Gostos para as suas páginas.

motor_emprego01
Um destes motores, chamou-me particularmente a atenção porque, segundo os mesmos - garantem taxas de empregabilidade superiores a 96% [irrealista não?].

motor_emprego02

A maioria requisita informação pessoal, tal como:

  • Nome
  • Apelido
  • Data de Nascimento
  • Código Postal [com esta informação conseguem localidade]
  • Email
  • Telefone

Outros pedem um pouco mais de informação, prometendo gerar um Curriculum Vitae online.

Um dos portais que tive conhecimento esteve mesmo à venda em 2011 num fórum de discussão português. Vendiam o pacote completo, ou seja, página de Facebook já com alguns Gostos, alojamento e domínio. O software era criado de raiz, sem a utilização de qualquer CMS e conseguia receber automaticamente ofertas de emprego de diversas fontes. Provavelmente conseguiram vender pois a página de Facebook associada ao domínio já é outra e conta com milhares de Gostos.

De referir que dois deles oferecem no ato de registo de utilizador, a possibilidade de assinar um bónus em casinos online.

Alguns relatos de desempregados que tive acesso, divulgaram que ao assinar estes portais receberam de imediato SMS publicitárias [algumas de serviços de valor acrescentado], campanhas de marketing de diversas marcas, promoções de cursos de formação profissional, etc.
Relativamente ao prometido, e baseado novamente na informação de alguns utilizadores que me contataram, as ofertas de emprego nunca realmente chegaram.

Alegadamente estes motores servem apenas para obter dados de utilizadores para construção de base de dados de emails para posteriores campanhas de marketing e programas de afiliados. Este aproveitamento dos portugueses desempregados é imoral e não sei até que ponto será legal este tipo de atividade.

O que realmente me chamou atenção é que, alguns destes portais têm ligações a grandes empresas nacionais de marketing. Algumas delas, no topo das empresas que mais cresceram nos últimos anos em TI.

Um registo numa base de dados para campanhas de marketing, o valor por email no mercado varia entre 4 a 10 cêntimos, no entanto no mercado negro esse valor baixa para valores de 1 cêntimo ou menos. A venda de base de dados é muito comum e na grande maioria das vezes é vendida às margens da lei.

Fica uma mensagem para todos os desempregados leitores do WebSegura.net: inscrevam-se apenas nos portais mais populares - IEFP. Maior parte dos supostos motores de emprego apenas vão replicar ofertas dos sites mais populares. Noutros locais, os vossos dados poderão estar a ser utilizados e vendidos sem o vosso consentimento.